quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Não é importante e é particular

Cada dia que passa, me convenço que não vim a esse mundo para fazer grandes feitos. Engraçado, que quando somos crianças, planejamos tanta coisa para nosso futuro, e quando o futuro chega é totalmente o oposto daquilo que sonhamos.
Eu poderia culpar a vida por isso, e dar a grande desculpa de que é extremamente difícil viver nesse mundo, ou poderia culpar qualquer um e eu sempre acharia argumentos para comprovar tal culpa. Acontece que tudo que somos, tudo que fazemos, sendo certo ou errado é mérito apenas nosso. As escolhas que fiz até aqui, me levaram a este estado e a esse lugar.
Aposto que todo mundo já imaginou como seria sua vida se no passado tivesse seguido outros caminhos.
Não é insatisfação. Tenho uma vida sossegada, sou mãe de um menino maravilhoso, tenho um marido que apesar de todos e TODOS os seus defeitos é um homem bom e uma família espetacular.
Mas eu queria ter feito mais por mim. Queria ter ingressado em uma faculdade, ter lutado por causas nobres, queria ter estudado música e saber tocar a alma das pessoas com ela, queria ter mais amigos, confesso, queria ter viajado mais, nossa eu queria ter feito tanta, mas tanta coisa, antes de chegar até aqui.
E no meu estoque, atitude está em falta. Quantas oportunidades perdi por falta dela.
Não sou tão velha, mas sinto ser tarde pra começar a correr atrás dessas coisas.
Deixa pra lá, isso não é importante e é particular. Quando a dor de cabeça passar, eu vou me sentir melhor.

Abraços
Nelly

domingo, 6 de novembro de 2011

Brevidade sobre o tempo

Insônia. O único canal que funciona na Tv do quarto está sem programação. Só ouço o tic tac do relógio de parede da cozinha, que está em sintonia com as marteladas que estão batendo na minha cabeça. Parece que ele quer me lembrar o quão rápido ele anda. Parece que ele quer me lembrar do quanto dele já perdi tentando resolver problemas que não cabem a mim, tentando responder perguntas que talvez jamais alguém possa responder.
Quantos tics, tantos tacs, e o tempo não pára. Viajo pelos segundo e a cada um que ficou pra trás me sinto mais perto, daquilo que tanto temo.
Embora caminhos sejam diferentes, todos eles só levam a um lugar.
Apodreço em vida, temo a morte. Pára tempo, pause, eu disse pause! Não estou com pressa de chegar! Ele não parou!
Sinto mas tenho que sair daqui e tentar dormir, os tacs e tics estão piorando a situação.
E juro que não entendo a expressão "ganhar tempo"...Se alguém souber onde estão distribuindo, me avisa, porque também quero ganhar.
Tic tac.