quinta-feira, 22 de maio de 2014

Tudo bem, obrigada!

Te tratarão bem, até conseguirem o que querem de você.

Às vezes é mais fácil falar  que tudo está bem, do que explicar todos os motivos pelo qual não está. Principalmente quando a pessoa acha que entende, e você vai apenas perder tempo explicando e gastar o restinho paciência que lhe sobra. Ter boas intenções é plausível, mas não é suficiente se a pessoa vai ainda te deixar mais confusa ou então se a pessoa falar, falar e não dizer nada. Em alguns momentos a gente só precisa de alguém que nos escute, sem falar nada, sem palpitar, sem tentar dar soluções, porque você sabe que não terá solução.
Eu preciso agradecer à todas as pessoas que de alguma maneira tentam me ajudar. Saber que tem pessoas que se importam comigo é lisonjeador. É também um combustível que me mantém viva. E eu preciso agradecer também a todas as pessoas que não souberam dar valor a amizade que eu tive por elas e as gentilezas que eu fiz. E que com isso gerou prejuízos, uma dor tão grande na minha alma, por ter sido apenas usada, por ter sido bem tratada apenas até conseguirem o que eu poderia oferecer. Eu agradeço à essas pessoas, porque elas me ensinaram o tipo de pessoa que eu nunca devo ser. Eu sei que essa frase é típica de todos os fracassados, como eu, mas ela faz todo sentido. 

sábado, 15 de março de 2014

Just tired. Leave me alone.

Você já amou? É horrível, não? Você fica tão vulnerável. O amor abre o seu peito e abre o seu coração e isso significa que qualquer um pode entrar em você e bagunçar tudo. Você ergue todas essas defesas. Constrói essa armadura inteira, durante anos, para que nada possa lhe causar mal. Aí uma pessoa idiota, igualzinha a qualquer outro idiota, entra em sua vida. Você dá a essa pessoa um pedaço seu, e ela nem pediu. Um dia, ela faz alguma coisa besta como beijar você ou sorrir, e de repente sua vida não lhe pertence mais. O amor faz reféns. Ele entra em você. Devora tudo que é seu e lhe deixa chorando na escuridão. E então uma simples frase como ‘talvez devêssemos ser apenas amigos’ se transforma em estilhaços de vidro rasgando seu coração. Isso dói. Não só na sua imaginação ou mente. É uma dor na alma, uma dor no corpo, é uma verdadeira dor-que-entra-em-você-e-o-destroça-por-dentro. Nada deveria ser assim, principalmente o amor. Odeio o amor”
Rose Walker (Sandman)

Comecei esse post citando "Sandman", porque descreve a dor que estou sentindo hoje. 


Eu acordei há 1 hora atrás. Fiz tudo que eu sempre faço quando levanto da cama, e agora estou aqui. Você já se sentiu triste por acordar e ter que viver um dia exatamente igual a todos os outros dias? Já se sentiu cansado e fraco por não conseguir e não saber o que fazer para mudar a sua vida ? E quando nada mais lhe dá prazer, poderia ser pior? Sempre pode piorar. E é quando piora que perdemos, a esperança, a paz, o sono, a vida. Recolho faíscas de felicidade de alguns poucos e bons momentos, que uma minoria de pessoas e situações me proporcionam. E isso tem me abastecido por um bom tempo. Mas quando apagam essa minha pequena chama de faíscas recolhidas, eu caio. E eu não consigo levantar, não sozinha, porque sozinha sou insuficiente. E eu detesto admitir isso. Hoje, eu estou cansada, até mesmo das faíscas que eu ainda tenho guardadas. Porque eu olho pra elas e vejo o quão estúpida é minha vida. E a culpa é de quem, além de minha? De mais ninguém. Eu cavo o buraco que eu mesma vou cair mais tarde. Tem como não odiar a mim mesma?

Então você pensa: o que ainda estou fazendo aqui? E você sabe que tem sim como solucionar tudo, mas pensa nas consequências e na dor que irá causar nas poucas pessoas que se importam com você. Sim, porque você está fodida, e parte da sua dor foi causada exatamente por algumas dessas poucas pessoas, mas ainda sim, apesar de tudo, você tem a merda de um coração, um coração tolo e fraco que ao invés de acompanhar o seu cérebro, age por conta própria, tornando a sua dor ainda mais intensa.

Às vezes parece que ninguém consegue sentir um amor igual o que você sente. E a frieza das pessoas te assusta. Eu ontem chorei até as lágrimas que eu não tinha para chorar. Fui dormir às 4h, pensando em como uma pessoa consegue ser tao cruel a ponto de semear na sua cabeça, situações que te deixariam feliz, sem ter a intenção de colher isso. Como você sabe que ela não tem a intenção de colher? Simples. Ela deixa de regar, e vai sempre encontrando bons argumentos para explicar porquê não está regando. Então você finge que acredita nessas desculpas, afinal, lembra? Seu coração é tolo e fraco, então você continua se importando com essa pessoa, mesmo que ela tenha destruído seus sonhos, mesmo que ela tenha permitido que seu coração sangrasse.

Hoje eu preciso ficar sozinha. Não que isso me faça organizar todos os meus pensamentos e sentimentos,  mas hoje eu preciso ficar sozinha, porque eu estou muito cansada, não do dia, que nem começou direito, mas da vida.

quarta-feira, 5 de março de 2014

2. Sobre amizades, trabalho e psique

Passei meus três últimos anos na escola, completamente isolada. Trabalhos em grupo, exercícios em dupla, tudo eu fazia sozinha.  No Ensino Médio eu  evoluí, de crises momentâneas, passei a ter Síndrome do Pânico, que me  rendia ataques de pânico quase que diariamente, normalmente no horário de entrar, intervalo e saída, na escola. Porque nessas horas é que ocorriam o tumulto de alunos, e muitos  conversando, outros brigando, gritando, rindo. Esses que sorriam, pra mim eram os piores. Calma. Deixa eu me explicar.  A sensação que eu tinha ao passar por um grupo de pessoas sorrindo, era que o motivo da graça seria eu, que estavam rindo de mim, dos meus defeitos físicos, do meu jeito anormal de ser e pensar, da maneira ridícula que eu me vestia. Eu era do tipo que nenhum outro adolescente  queria usar como referência.

 Passar por ataques de pânico frequentes foi a pior experiência da minha adolescência. Eu corria pro banheiro, me trancava e só depois que eu me acalmava eu saia de lá. Sempre suando demais. Minha camiseta da escola ficava completamente molhada. O que me causava mais constrangimento, por ter que passar pelos alunos e alunas sempre bem arrumados, em ordem, sem suor. O caminho do banheiro até a sala de aula parecia demorar uma eternidade, as pernas mal conseguiam seguir em frente, tremiam, como as mãos. O fôlego ainda não estabelecido totalmente, o coração ainda acelerado. E a terrível sensação de estar sendo observada e ridicularizada por todo mundo que estava ali.

Fui diagnosticada por uma psicóloga, que trabalhava em um programa ambiental para jovens. Fui por ela encaminhada a um psiquiatra e então ela teve que chamar minha mãe para "conversar". Eu morri de medo de ser "exposta" pra minha família. Já não bastava ser a estranha na minha vida escolar, não queria ser a  estranha na minha família. Eu supliquei, para que nada fosse dito à minha mãe. Então a conversa não passou de uma orientação  psicossocial. Nesse mesmo tempo também descobri que minhas manias, não eram apenas manias, era Transtorno Obsessivo Compulsivo, e que minha mudança repentina de humor não era T.P.M , e sim bipolaridade, bem normal para uma jovem anormal.  Fiz um ano de "terapia", que foi o tempo em que estive no programa. Segunda-feira era o dia em que a psicóloga e eu "conversávamos". Eu odiava, mas era necessário para me manter no programa, que eu adorava.
Depois tive que aprender a conviver com isso. Sempre me escondendo e sofrendo sozinha, durante anos. Não ia a festas da família, shows e evitava sempre situações que eu sabia, iria desencadear uma crise de pânico.

Com tudo isso, sempre pude contar nos dedos de apenas uma das mãos quantas pessoas se aproximavam de mim, quantas pessoas eu consegui manter uma amizade. Mas tudo bem, pois essas mesmas pessoas, de tão especiais por me aceitarem desse jeito que sou, são as mesmas já citadas anteriormente, elas permanecem na minha vida até hoje.

As coisas melhoraram um pouco depois que comecei a trabalhar. Entrei em uma empresa para ser telefonista e em pouco tempo já estava no Departamento Pessoal, que me fazia ter contato com muitas outras pessoas. Cativei e fui cativada por muitas pessoas ali. Adquiri certo senso de humor também nessa época. E por um bom tempo eu fiquei ali e evolui como profissional e também como pessoa, pois ali conheci diversas personalidades, e absorvi um pouco de cada um ali.

Tive outros empregos em áreas administrativas, mas em nenhum eu consegui ficar tanto tempo como fiquei no primeiro.  Depois voltei a procurar trabalho, mas eu passava muito mal em entrevistas e processos seletivos. Certo dia vi um anúncio no jornal, para trabalhar em uma escola de idiomas como recepcionista. O anúncio pedia para o candidato comparecer com currículo tal dia e tal hora. E eu fui. Cheguei dez minutos antes e já havia dezenas de moças, todas muito bonitas e arrumadas, cabelos perfeitos, sorriso prefeito, tudo perfeito. E eu com calça social preta e blusa básica, cabelo ruim e preso ao alto da cabeça, com frizz, resultado do meu descuido, os dentes tortos e com aparelho ortodôntico há meses sem  fazer manutenção, por falta de dinheiro. Eu não pensei em nenhum momento na habilidade  de qualquer uma delas, nem na minha. Eu só conseguia pensar que de maneira alguma eu ia conseguir aquela vaga. E fiquei imaginando todas elas pensando: -O que essa garota ridícula ainda está fazendo aqui. Nesse momento olhei para duas pessoas, sorrindo e então tive um ataque de pânico, um dos mais terríveis, pois eu não consegui fugir, eu simplesmente caí no chão, ali, no meio de todas aquelas pessoas. E eu fiz o que eu não queria naquele momento. Chamar a atenção. E quando me vi no meio de todas aquelas pessoas me olhando, eu chorei feito criança. Eu queria apenas morrer.

Fiquei três anos desempregada. Eu não saía de casa para quase nada. Não ia ao mercado, padaria, açougue, banco, ia apenas algumas vezes à casa da minha mãe que era no bairro vizinho. E só ia lá por saber que lá era um "local seguro". Tive Fobia Social. E demorei alguns anos para conseguir enfrentar isso e voltar a frequentar esses lugares novamente.

Depois de um ano do nascimento do Arthur, voltei a trabalhar. Em uma pizzaria, a qual o dono era o marido da minha prima. Eu comecei bem animada. E no meu segundo dia de trabalho, a pizzaria foi assaltada e pra variar um pouquinho, tive um ataque de pânico que ficou registrado, em no mínimo, três ângulos diferentes, pelo circuito de câmeras da pizzaria. Em menos de um mês fui assaltada três vezes, uma delas no ponto de ônibus. Eu saia de madrugada e não era seguro uma mulher ficar sozinha no ponto de ônibus.  Depois desse assalto no ponto de ônibus, fiquei com medo de todas as pessoas que passavam por mim enquanto eu estava lá.


Novamente cativei e fui cativada por algumas pessoas, clientes, fornecedores, funcionários. Eu gostava de tudo aquilo. Mesmo com o estresse dos finais de semana. Poder ajudar novamente na renda da família e ter um dinheiro para mim, me deixava bastante alegre.  Listei alguns objetivos. E até consegui cumprir alguns deles. Eu tinha uma dívida grande que acumulou juros enquanto eu não trabalhava, e consegui com muito esforço pagar toda essa dívida. Fiquei orgulhosa de mim mesma por isso, eu sei, é estúpido, mas eu fiquei. E também me habilitei para dirigir carro e moto. 

1. Sobre ser gostada

Passei toda minha vida, temendo não ser gostada. Passei toda minha vida dizendo "sim", embora muitas vezes minha vontade e preguiça fossem de "não". Eu gosto de agradar, não só por ver felizes as pessoas que eu amo, mas pelo egoísmo infame do meu ser. Eu acreditava que meus "sins" eram essenciais para eu ser gostada. Porque é isso que eu gosto, ser gostada. E fui distribuindo  milhares desse advérbio. Alguns deles não me custaram coisa alguma, nem tempo, nem dinheiro, nem esforço. Outros me custaram muito tempo, alguns outros muito esforço e poucos me custaram dinheiro. Afinal, eu nunca tive muito dele mesmo.

Eu não sei se foram pelos meus "sins",  que conquistei muitas pessoas especiais na minha vida. Algumas delas eu nunca mais vi, mas eu ainda lembro e fico imaginando se essa pessoa lembra-se de mim da mesma maneira. E realmente fico incomodada com a hipótese da resposta ser não. Eu não sei lidar bem com o esquecimento. Também não sei se acredito em astrologia, mas se isso for verdade, faz muito sentido. Sou leonina e gosto de atenção...muita atenção. E muitas vezes chegam a ser deprimente as coisas que faço para conseguir isso, confesso. Bem, outras delas permanecem comigo até hoje, ainda que não tão presentes, porque a vida é corrida e eu entendo que é natural um afastamento. Mas eventualmente nos encontrando e relembrando boas histórias que vivemos juntas e planejando que mais histórias juntas aconteçam, mas que nunca saem do planejamento.


O fato é, se eu tivesse distribuído alguns "nãos", será que eu obteria a doce sensação de ser gostada pelo mesmo número de pessoas? Claro que não. Muitas pessoas me trataram bem, tempo suficiente pra conseguir o que queriam de mim.  E por muitas vezes me senti usada e completamente descartável. Afinal o mundo gira em torno de interesses, alguns podres, outros nobres, mas ainda sim, interesses. Como eu, agradando todo mundo. Puro interesse. Você já se sentiu especial por ser responsável por um sorriso? Eu já, e eu adoro essa sensação.  E, sim eu me canso, mas eu sempre estou em busca dela.  E eu sempre me senti bem com isso, e achava que o sorriso fosse pagamento suficiente, mas, voltando ao meu egoísmo, não é. Eu não quero que tudo termine em um sorriso. Eu quero que gostem de mim, assim como, facilmente, eu gosto de quase todo mundo. E quero que com esse sentimento cresça amizade. Bom, eu também passei minha vida toda querendo ter mais amigos.

Apresentação dos próximos posts

Antes que as pessoas não citadas reclamem por isso, explico. Decidi voltar  a escrever por ela, que acha que não é boa o suficiente para ter minha amizade, por ela que ora acredita e hora desacredita na existência de Deus, para ela que tem a mão mais pesada do mundo, para ela que em tão pouco tempo conquistou minha amizade, para ela que não tem um pensamento formado sobre a morte, para Ana.
E que nossa pequena história fique registrada  pra sempre onde outras pessoas possam ler, e não apenas no nosso coração.
Então narrarei algumas partes da minha história até o encontro das nossas almas, e o maior post será sobre ela, como agradecimento pela nossa amizade que sustenta o meu ser.
E antes de morrer eu quero escrever um pouquinho de cada uma das pessoas que foram ou são importantes na minha vida. Portanto, nada de ciúme! rs

Abraços
Nelly